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terça-feira, 21 de junho de 2011

A CHUVA

Olá, pessoas!!!!

     Neste dia chuvoso (início do inverno), trago um poema de Mauro Mota. Vocês já devem ter percebido que adoro poemas dele sobre a chuva. Pois bem, vamos a mais um... Este é de uma singeleza ímpar!!!!! Espero que gostem.


O Guarda-Chuva (Mauro Mota)


Meses e meses recolhida e murcha,
sai de casa, liberta-se da estufa,
a flor guardada (o guarda-chuva). Agora,
cresce na mão pluvial, cresce. Na rua,
sustento o caule de uma grande rosa
negra, que se abre sobre mim na chuva.




E aí? o que acharam?
Beijos
Amanda

terça-feira, 12 de abril de 2011

Mauro Mota e a chuva no Recife



Olá, pessoas!!!!

     Estou aqui de novo hoje!!!! Não aguentei esperar! rsrsrsrsrsrs Estamos vivendo dias de chuva em Recife e região metropolitana e, por isso, não há momento mais apropriado para compartilhar dois poemas sobre a chuva no Recife, segundo a visão de Mauro Mota.
Aproveitem!!!!!



A CHUVA CAI SOBRE O RECIFE 

A chuva cai sobre o Recife devagar,
banha o Recife, apaga a lua, lava a noite, molha o rio,
e a madrugada neste bar.
A chuva cai sobre o Recife devagar.
A chuva cai sobre o telhado das casinhas de subúrbio,
canta berceuses a doce chuva. É a voz das mães
que estão no canto de onde a chuva agora veio.
A chuva cai, desce das torres das igrejas do Recife,
corre nas ruas, e nestas ruas, ainda há pouco tão vazias,
agora passam, de capote, transeuntes
do tempo longe, esses fantasmas de mãos frias.



CHUVA DE VENTO

De que distância
chega essa chuva
de asas, tangida
pela ventania?
Vem de que tempo?
Noturna agora
a chuva morta
bate na porta.
(As biqueiras da infância, as lavadeiras
correm, tiram as roupas do varal,
relinchos do cavalo na campina,
tangerinas e banhos no quintal,
potes gorgolejando, tanajuras,
os gansos, a lagoa, o milharal.)
De onde vem essa
chuva trazida
na ventania?
Que rosas fez abrir?
Que cabelos molhou?
Estendo-lhe a mão: a chuva fria.
    
Até mais!!!
Beijos
Amanda

sábado, 9 de abril de 2011

Assombrações do Recife velho


                                      Mauro Mota na Praça do Sebo

Olá, pessoas!!!!

    Fim semana friorento com chuva em Recife, Olinda e adjacências rsrsrsrsrs. E vocês como estão com essa chuva toda que São Pedro nos manda? Eu estou numa preguiça só.... Mas vamos lá!!!
    Pela manhã, lendo os jornais, vi uma nota falando sobre Mauro Mota e meu querido esposo Alexandre sugeriu que eu postasse algo de do nosso poeta também. Então, atendendo a pedidos, aí vai um poema de Mota. Acho que um pouco de assombração sempre combina com dias de chuva, assim bem "friorentos".

Aproveitem!!!!


Assombrações do Recife velho

Cadeiras balançam

sem gente, sozinhas.

Fantasias, rumores

na cama, estilhaços.

Apagam-se os lampiões

de bicos de gás
e as lamparinas
de azeite no quarto.

As rezas das tias,

velas no oratório.
A noite comprida
não acaba mais.

Cavalos, boleeiros,

de fraque e cartola
nas ruas vazias.

A moça encantada

no Encanta-Moça.

O Sobrado-Grande

com assombração.

A ronda do Diabo

na Cruz do Patrão
com fogo nos chifres,
correndo no istmo
de Olinda ao Recife.

Canoas sem remo

no Capibaribe.

Uivos dos cachorros

no fundo dos sítios
e dos lobisomens
pegando as mulheres
na Volta ao Mundo.

Mauro Mota

(1911-1984)

   E aí? Ficaram ASSOMBRADOS?  Quero saber! 
Beijos
Amanda