sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Carlos Drummond de Andrade

Olá, pessoas!!!!

    Estou meio sumida do nosso blog porque ando com a vida meio corrida demais ultimamente, mas prometo voltar a postar com mais regularidade. Esta semana estava estudando Drummond com o terceiro ano e sei que volta e meio posto algum poema de Drummond, mas acho que o postar sobre este poeta nunca é demais. rsrsrsrsrs Por isso, trago hoje para vocês trechos uma reportagem de capa da revista Veja, de quando Drummond faleceu. O texto é muito grande, por isso, quem quiser lê-lo na íntegra, pode acessar o link da Revista Veja no fim da página. Apesar de ser um texto jornalístico, carrega uma poesia e uma beleza imensas. Espero que gostem. Depois posto mais poemas dele.




Descrição: http://veja.abril.com.br/veja_online_2007/imagens/pix.gifDescrição: http://veja.abril.com.br/veja_online_2007/imagens/pix.gif
26 de agosto de 1987
E agora, poesia?
Em seu mais amargurado verso, Carlos
Drummond de Andrade rima a perda da
filha única com a desilusão pela vida
e morre aos 84 anos
Em apenas doze dias, o poeta Carlos Drummond de Andrade esteve duas vezes no Cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Na primeira, o poeta mineiro, de 84 anos, enterrou a pessoa que mais amava, a filha Maria Julieta, de 57, vítima de um câncer generalizado. Cabeça baixa, olhos secos e atônitos, Drummond segurou a mão do ex-chanceler Antônio Azeredo da Silveira, um amigo de muitos anos, e disse: "Não tenho mais futuro, acabou tudo para mim". O poeta não conseguiu percorrer a alameda até a sepultura da filha. Estava cansado. Doze dias depois, na terça-feira passada, o poeta morto percorreu a alameda, conduzido no caixão pelos seus três netos e amigos. Silenciosas, 800 pessoas acompanharam o féretro e sepultaram Drummond da maneira que ele pediu - sem orações e discursos, na cripta 19.099, ao lado da de Maria Julieta.  Achando bárbaro o espetáculo da morte da filha, o poeta delicado preferiu morrer. De um ataque cardíaco, pouco antes das 9 horas da noite de segunda-feira passada.
No Cemitério São João Batista repousará, pó sem esperança, pó sem lembrança, a frágil figura que foi um dia Carlos Drummond de Andrade. Mas, de tudo quanto foi seu passo caprichoso, na vida, restará, pois o resto se esfuma, uma pedra no meio do caminho. Essa pedra no meio do caminho é a obra do poeta - a obra maior de Drummond, o claro enigma de seu canto. Na prosa da vida, porém, a morte infligiu um duro golpe ao poeta. No velório de Julieta, o autor de Quadrilha pediu ao filólogo Antônio Houaiss que ficasse ao seu lado e comentou: "Isto não está certo, ela deveria ficar para fechar meus olhos". Para Houaiss, desde julho, quando a metástase tomou conta de Maria Julieta, pai e filha como que disputaram uma corrida cujo prêmio, para quem chegasse primeiro, seria a morte.
CONFIDÊNCIAS - "Eles se sabiam condenados, mas cada um queria ir antes para não sentir o peso da ausência do outro", diz Houaiss. Nessa corrida, pai e filha, que mantinham uma relação intensíssima, trocaram todo o afeto e a atenção possíveis. Em 1979, quando ainda vivia em Buenos Aires, na Argentina, com os três filhos, Maria Julieta foi submetida a uma mastectomia no seio direito, já provocada pelo câncer ósseo. Nos meses em que ficou se recuperando no hospital, Maria Julieta lhe telefonava duas vezes por dia e mandava cartas semanalmente. Na terna cumplicidade entre os dois, a filha sempre dizia que estava muito bem, e o pai, no Rio de Janeiro, fingia acreditar que tudo estava realmente bem. Ao passar pelas sessões de quimioterapia, que a deixavam deprimida, Maria Julieta, também escritora, logo telefonava para amigos, pedindo que lhe contassem casos engraçados. "É que meu pai vei me telefonar agora e, pela minha voz, vai perceber que não estou me sentindo bem", explicava.

(...)
Com a morte da filha, o poeta ainda manteve alguns de seus hábitos caseiros. Acordava às 7 da manhã, ia dormir tarde, sempre depois de dar um último telefonema e de organizar o lixo de seu escritório com requintes de minúcia. Esvaziava o cesto de lixo sobre um jornal, em cima de sua mesa de trabalho, picotava todos os papéis com uma tesoura, embrulhava na folha de jornal e colocava tudo dentro de um saco plástico. "Ele fazia o lixo mais organizado do prédio", conta o neto Pedro Augusto. "Parecia até um embrulho de presente." Luis Maurício, o neto de 33 anos, lembra que, na semana que se seguiu à morte de Maria Julieta, o avô organizou quase 1.000 telegramas e cartas de condolências e decidiu responder a todos coletivamente, num anúncio pago no Jornal do Brasil. Drummond, porém, quis incinerar toda a sua correspondência com Maria Julieta organizada em 33 pastas. "Essas cartas não vão interessar a ninguém", disse o poeta ao genro e netos. Foi convencido a não incinerá-las.
(...)
Agnóstico, o poeta havia expressado o desejo de que não houvesse orações ou crucifixos no seu velório e enterro. Ele considerava uma ofensa religiososa fingir que acreditava em Deus e em rezas. Pelo velório, passaram mais de 1.000 pessoas, entre admiradores anônimos, escritores, atores, políticos, ministros e acadêmicos. (...) O Rio de Janeiro e Itabira decretaram luto oficial. Mas Ulysses, interinamente na Presidência, não os seguiu. Deixou, assim, de tomar uma das poucas decisões razoáveis para um presidente transitório.
No gabinete de trabalho do poeta, em seu apartamento, seus óculos estão sobre a mesa, ao lado da máquina de escrever. É a máquina velha, pois Drummond se adaptou à elétrica que a mulher deu de presente. Os livros estão em ordem nas prateleiras, e as gavetas, organizadas. Tudo parece aguardar para breve a volta de Carlos Drummond Andrade. Ele não voltará, pois o melhor dele mesmo lá está: seus livros de poesia e seus versos inesquecíveis.
Descrição: http://veja.abril.com.br/veja_online_2007/imagens/pix.gif
                                Drummond, sua esposa e sua amanda filha Maria Julieta
Link para quem quiser ler a reportagem na íntegra:

Beijos,

Amanda

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Eterno!

Olá, pessoas!!!!

    Estou aqui para mais uma postagem "flash"! rsrsrsrs Brincadeiras à parte, mas a verdade é que não podia deixar de compartilhar este trechinho de Carlos Drummond de Andrade.  

"Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata." (Carlos Drummond de Andrade)

Excelente fim de semana!!!

Beijos

Amanda

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

SER FELIZ!!!!


Olá, pessoas!!!

    Passo rapidinho (de novo) para deixar um poema de Fernando Pessoa. Sou suspeita para falar, mas acho lindo!!!! E vale como reflexão para a vida!!

"Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma....É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida...." (Fernando Pessoa)



Sim! Não esqueci de Luiz Queiroga, não. Meus alunos e eu estamos ouvindo vários "causos" de Coronel Ludugero. Depois posto com mais detalhes.

Beijos

Amanda
 


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Luiz Queiroga

Olá, pessoas!!!!!

    Hoje, passo rapidinho só para dizer a vocês que comecei a fazer umas atividades para que meus alunos conheçam a personalidade que dá nome à nossa escola: Luiz Queiroga! Infelizmente, eles não sabiam nada sobre Queiroga, apenas que tinha sido radialista, porque está no nome da escola: Escola Radialista Luiz Queiroga. Estou cheia de expectativas de que esse trabalho dê frutos bons. Ao longo da semana, vou passando para contar o que acontece! Trago uma foto dele.


Beijos
Amanda

sábado, 6 de agosto de 2011

Como adoro Mario Quintana!!!

Olá, pessoas!!!!


    Vocês já devem ter percebido que simplesmente ADORO os poemas de Mario Quintana, não é? Então, hoje "navegando" pela internet encontrei estes dois e gostaria de compartilhá-los com vocês! Aproveitem os poemas e o fim de semana!


DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

Mario Quintana
- Espelho Mágico


OS POEMAS
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mario Quintana - Esconderijos do Tempo
 


E aí? O que acharam?

 Beijos
Amanda

domingo, 31 de julho de 2011

MARIO QUINTANA e o engano

Olá, pessoas!!!!

     Hoje, acordei com vontade de postar algum poema de Mario Quintana, porque acho a poesia dele incrível, simples e, ao mesmo tempo, tocante. Então, fui buscar algum na internet. Encontrei e achei belíssimo, mas, para surpresa minha, o poema não era dele. rsrsrsrs Incrível!!! Aproveito que isto aconteceu comigo (não é a primeira vez!) para dizer a vocês que, ao ler qualquer texto na internet, não acreditem de cara na autoria que dão a ele, pesquisem mais um pouco. Investiguem em mais de um site para ver se as informações "batem". Existem muitos textos por aí, que dizem, por exemplo, que  são de Luís Fernando Veríssimo e que ao começar a ler, percebemos que não é dele (quem conhece o estilo dele, claro). Mas alguns textos podem confundir mesmo. Então, fica o alerta!!!!
   Outro alerta: literatura não é feita apenas pelos autores renomados e conhecido de todos. Há autores muito bons e que são desconhecidos. Então, vamos ao poema!

Certezas (Adriana Britto)

Não quero alguém que morra de amor por mim…
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…
E que esse momento será inesquecível..
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…
e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,
que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons
sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente
importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca
cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter
forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia,
e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,
talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…
Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder
dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim,
sem ter de me preocupar com terceiros…
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas,
que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…
e que valeu a pena.



Agora, trago um poema  de Mario Quintana.



Da mesma idade


Criança que brinca e o poeta que faz uns poemas

Estão ambos na mesma idade mágica!



[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]




Contem o que acharam dos poemas!

Beijos

Amanda

sábado, 23 de julho de 2011

Tirar férias!!!!!

Olá, pessoas!!!!

Depois de merecidas férias (pena que só foram 15 dias), estou de volta com todo o gás!!!!!! rsrsrsrs  Para o retorno às aulas, escolhi uma crônica de Carlos Drummond de Andrade de título "Tirar férias". Esta crônica foi a escolhida, porque todo ano, quando voltamos às aulas, os alunos dizem: - As minhas férias foram chatas. Não fiz nada!" Com a recorrência desse fato, já estava pensando em que texto levar para os meus queridos alunos e vi uma referência a ele no facebook (rsrsrsrsrs! Acho que estou ficando conectada demais) e pensei : - É este!!!! E como os alunos adoraram o texto, achamos pertinente (os alunos e eu) postá-lo aqui, no nosso blog. Depois desta loooooooooonga explicação, vamos logo ao texto? Primeiro uma foto do queridíssimo Drummond!!! E antes que eu esqueça: - Edineide e os outros alunos loucos por Drummond, olha ele aí!!!!!!!!


E agora sim, a crônica.

TIRAR FÉRIAS
Carlos Drummond de Andrade

A noção de férias está ligada a figuras de viagem, esporte, aplicações intensivas do corpo; quase nada a descanso.
As pessoas executam durante esse intervalo aquilo que não puderam fazer ao longo do ano; fazem "mais" alguma coisa, de sorte que não há férias, no sentido religioso e romano de suspensão de atividades. Matutando nisso, resolvi tirar férias e gozá-las como devem ser gozadas: sem esforço para torná-las amenas. A idéia de viagem foi expulsa do programa: é das iniciativas mais comprometedoras e tresloucadas que poderia tomar o trabalhador vacante. As viagens ou não existem, como é próprio da era do jato, em que somos transportados em velocidade superior à do nosso poder de percepção e de ruminação de impressões, ou existem demais como burocracia de passaporte, filas, falta de vaga em hotel, atrasos, moeda aviltada, alfândega, pneu estourado no ermo, que mais? Quanto à prática de esportes, sempre julguei de boa política deixá-la entregue a personalidades como Éder Jofre, Maria Ester Bueno ou Pelé, que dão o máximo. A performance desses ases satisfaz plenamente, e não seria eu num mês de férias que iria igualá-los ou sequer realçá-los pelo contraste. Bem sei que o esporte vale por si, não pelos campeonatos; mas também, como passatempo, carece de sentido. Pescar, caçar pequenos bichos da mata? Nunca. Se esporte e morte acabam pelo mesmo som, para mim nunca rimaram. Havia também os trabalhos, os famosos trabalhos que a gente deixa para quando repousar dos trabalhos comuns. Organizar originais de um livro. Escrever uma página de sustância (está pronta na cabeça, falta só botar o papel na máquina!). Pesquisar em arquivos. Arrumar papéis. Mudar os móveis de lugar. E os deveres adiados, tipo "visitar o primo reumático de Del Castilho". A idéia de conhecer o Rio, conhecer mesmo, que nos namora há 20 anos: tomar bondes esdrúxulos, subir morros, descobrir lagoas de madrugada. Por último, o sonho colorido dos gulosos, sacrificados durante o ano: comer desbragadamente pratos extraordinários, sem noção de tempo, saúde, dinheiro. Tudo aboli e fiz a experiência das férias propriamente ditas, que, como eliminação das atividades ordinárias e exteriores, pode parecer estado contemplativo ou exercício de ioga. Não é nada disso. Exatamente porque abrem mão de tudo, as boas férias não devem tender à concentração espiritual nem à contenção da vontade. São antes um deixar-se estar, sem petrificação. Levantar se mais tarde? Se não fizer calor; um direito nem sempre é um prazer. Ir ao Arpoador? Se ele nos chama realmente, não porque a manhã e a água estão livres. O mesmo quanto a diversões, muitas vezes menos divertidas do que a noção que temos delas.
Divertir-se é desviar-se, e não convém que nos desviemos das férias, enchendo o tempo com programas de férias. Deixemos que ele passe, sutil; não o ajudemos a passar. Há uma doçura imprevista em sentir-se flutuar na correnteza das horas, em sentir-se folha, reflexo, coisa levada; coisa que se sabe tal, coisa sabida mas preguiçosa. Se me pedirem para contar o que fiz afinal nestas férias, direi lealmente: ignoro. Aos convites disse não, alegando estar em férias, alegação tão forte como a de estar ocupadíssimo. O pensamento errou entre mil avenidas, não se deteve em nenhuma; cada dia amadureceu e caiu como um fruto. Nada aconteceu? O não acontecimento é a essência das férias. E agora, é trabalhar duro onze meses para merecer as inofensivas e deliciosas férias do não.
Carlos Drummond de Andrade, Cadeira de Balanço,  13a Edição, Livraria José Olympio Editora.


E aí? Vocês concordam com Drummond que  "O não acontecimento é a essência das férias"? 

Quero saber o que vocês acharam, tá?
Beijos a todos,

Amanda